念 珠

Primeiramente

Mesmo que não tenham conhecimento sobre o Juzu (Rosário do Budismo), provavelmente sabem que é um objeto que fica na mão das pessoas durante as missas e funerais.

Talvez o nome “Juzu” seja mais familiar que “NenJu”, mas no Shingonshu costumamos chamá-lo de Nenju, então aqui continuaremos usando esse nome.

Os procedimentos e as formas de segurar variam de acordo com as seitas. Aqui será explicado da forma padrão do Shingonshu, mas pode haver um monge fazendo explicações diferentes do que está aqui, porém isso também não estará errado. Aconselha-se utilizar o Nenju do modo que o monge auxiliar.

A história do Nenju

Na realidade, a origem correta do Nenju não é conhecida. Geralmente acredita-se que originou-se através dos costumes do monge brâmanes da Índia antiga.

O Nenju quando começou a seu utilizado no Budismo era um material para contar o número de Shingon (palavra verdadeira) ou a oração Budista. O Nenju era utilizado como material para contar e memorizar o número de Shingon.

Há um relato de uma história na escritura Sagrada: Um rei de um certo país da Índia enviou um mensageiro para o Buda Shaka. O mensageiro suplicou ao Buda Shaka: “O nosso país é cercado de outros países fortes, não cessam as guerras, e com isso não conseguimos cuidar da nossa política interna. Ainda por cima há uma propagação da epidemia e o sofrimento do povo intenso. Mesmo para fazer uma oração ao Buda é difícil manter a paz e equilíbrio no dia-a-diada nossa alma. Peço que ensina um modo de expulsar a paixão maligna daqueles que não estão em condições de ouvir diretamente os ensinamentos do Buda”.

Assim, o Buda disse para fazer um furo em 108 frutos do Mokugenshi (nome da árvore), passar uma linha para formar uma argola única, e mesmo andando pelas ruas , mesmo parado, sentado ou dormindo, sempre manter em suas mãos e ao fazer a oração contar um, fazendo outra oração contar mais um. Assim poderá eliminar os desejos malignos e encontrará tranquilidade na alma.

Ouvindo isso, o mensageiro voltou rapidamente ao seu país e transmitiu ao rei. O rei satisfeito, voltou-se em direção onde se encontra Buda Shaka e fez reverências abaixando profundamente a cabeça e imediatamente mandou confeccionar um grande número deste instrumento e ordenou que distribuísse ao povo. Este é o início do Nenju no Budismo.

No Shingon-Mikyô (Ensinamento Esotérico) feito pelo Grande Mestre, o Nenju é utilizado para contagem e é indispensável. No Ensinamento Esotérico é recitado o Shingon (palavras verdadeiras), sendo 7 ou 21 vezes. Há pessoas que conseguem contar sem o uso do instrumento, mas no treinamento da provação esotérica, o Shingon é recitado centenas ou milhares de vezes. Indo mais além, existe o treinamento em que a pessoa continua recitando o mesmo Shingon milhares ou milhões de vezes levando vários dias com o Nenju, um instrumento imprescindível.

Conforme o Ensinamento Esotérico se popularizou no Japão, o Nenju também foi se espalhando. Com o Nenju sempre nas mãos, foi surgindo novas maneiras de sua utilização, como esfregar o Nenju para avisar a contagem do Shingon, rezando “estou aderindo-me ao Buda”, ou ainda fazendo algum desejo.

Assim, o Nenju que era apenas um instrumento de contagem, foi surgindo várias maneiras de utilização, criando profunda relação com o Ensinamento Esotérico.

Posteriormente, em outras seitas Budistas, foram surgindo o treinamento de oração que continua recitando o nome de Buda, e muitos aprendizes Budistas começaram a utilizar o Nenju que atualmente é colocado nas mãos como prova de crença dos Budistas.

O formato do Nenju

Atualmente existem o Nenju com 1080 contas, 108 contas, 54, 42, 36, 27, 21, 18 até 14 contas, totalizando nove tipos de Nenju.

O Nenju com maior número de contas, o Nenju de 1080 contas, é usado em oração conjunta como o “Hyakumanben-Nentou”, onde várias pessoas se reúnem em roda e rezam o Shingon ou a oração Budista.

O Nenju de 108 contas é chamada de “Honren”, geralmente pequenas diferenças conforme as seitas Budistas. Dizem que o número de contas representa os 108 desejos malignos.

O Nenju de 54 até 18 contas são versão simplificada de Nenju de 108 contas, e atualmente são chamadas de “Ryakushiki-Nenju” (Nenju Simplificado). O Nenju de 54 contas (metade 108) é chamada de “Shi-Hanren”. Esses Nenju simplificados são utilizados popularmente pelas pessoas, ou os monges costumam portar quando não há missas. Não há muita diferença entre as seitas, e os Nenju de 18 a 36 contas são amplamente vendidos em lojas.

O tipo de material do Nenju

Há vários tipos de materiais usadas no Nenju, desde os que foram transmitidos nas escrituras até que são confeccionados atualmente. Existem metais (ouro, prata, ferro, bronze, etc), pedras (cristal, lápis-lazuli, ágata), madeiras e sementes (árvore de Bodhi, sândalo, amargoseira), coralífera, ambarizado, pérola, entre outras, sendo vários tipos de materiais.

Nas escrituras sagradas consta que o melhor material é o Bodaiju (árvore de Bodhi), pelo fato que o Buda Shaka alcançou a sua iluminação espiritual quando estava meditando embaixo dessa árvore. Há também escrituras que dizem que o melhor material é o cristal.

Como usar o Nenju simplificado

Quando for utilizado no braço:

O “Nenzu”é segurado ou pendurado na mão esquerda em qualquer situação. No braço, é pendurado no lado esquerdo. O cacho ficará embaixo naturalmente.

Quando colocar nas mãos unidas:

utilizado pelos monges. Assim como o número de cachos, aparecem

Inicialmente coloca-se entre o dedão e o dedo indicador da mão esquerda, em seguida junta-se a mão direita na mão esquerda. As mãos unidas devem ficar em frente ao peito.

Como contar:

Quando for contar o número de Shingon usando o Nenju, a contagem é iniciada pelo “Moshu” (conta de tamanho maior) tendo como referência as pequenas contas que ficam quase no meio da argola. São contas menores chamadas “Shiten”, de materiais diferentes. No caso de Honnenju (Nenju principal) é definido o lugar, porém nos nenju simplificados conforme o tamanho das contas varia a posição do Shiten. Portanto há necessidade de confirmar o Nenju que está nas mãos para saber onde é o início da contagem para 7 ou 21 vezes.

Como segurar Hon-nenju (Nenju genuíno)

Quando for sentar é pendurado no braço esquerdo, da maneira que a conta maior fique em cima, e o cacho para o seu lado. Quando estiver andando segura-se na mão esquerda torcendo uma vez para formar uma argola dupla. Nessa hora segura-se da maneira que a conta-mãe “Moshu”,”Odama” fique em cima e o cacho também é segurado juntamente na palma da mão. Ao deixar em algum lugar é torcido três vezes, o cacho é deixado do lado de dentro, e não esquecer de colocar a conta-mãe (moshu) virada para frente. Para esfregar e produzir o som, deverá colocar a conta-mãe (moshu)

no dedo do meio da mão direita, “Odama” no dedo indicador da mão esquerda. E os dois cachos dentro da palma da mão. E com a mão esquerda para cima e a mão direita para baixo, unir as mãos em diagonal. O som é produzido movendo a mão direita, sem mexer a mão esquerda.

Contagem

Contando a partir da conta-mãe (moshu), na 7ª. e na 21ª. posição notamos a presença de uma conta menor de material diferente (Shiten). Assim é possivel contar 7 e 21 vezes.

Para contagem de 108 vezes, uma volta no Nenju dará 108, porém há uma coisa que se deve tomar cuidado. Ao alcançar a metade contando a partir da conta-mãe (mochu) deve virar o nenju e continuar a contagem voltando as contas que havia contado. Ao retornar no lugar dará 108. Se for continuar contando vira novamente para fazer o mesmo procedimento. Isso quer dizer que para a contagem são utilizadas somente as 54 contas de um lado.

A cada 108 vezes é contada uma das 10 pequenas contas do cacho do lado da conta-mãe (moshu). Repetindo esse procedimento poderá contar até 1080 vezes.

A cada contagem de 1080 conta-se uma das 10 contas pequenas do cacho que está do outro lado da conta-mãe. Enfim, usamos as contas menores do cacho que está no lado da conta-mãe para a contagem de centenas, e do cacho oposto da conta-mãe (Odama) para contar os milênios.Repetindo isso é possível contar até 1080. (contar com a mão direita)

Perguntas frequentes
– Posso levar o nenju para o funeral de outras religiões?

Seria bom levar como prova de budista. No entanto, o funeral é o momento da última despedida de todos com o falecido. Dependendo do ambiente e dos presentes, há casos que seja melhor deixar guardado na bolsa ou no bolso.

-Posso emprestar ou pegar emprestado o Nenju?

Não há outro jeito se esqueceu de trazer na missa ou funeral. Mas quem não possui o seu próprio Nenju convém providenciá-lo como uma prova de budista.

-Vejo Nenju em formato de pulseira. É um Nenju oficial?

Pode haver caso de usar o Nenju como um acessório mesmo não sendo budista. A quantidade de contas é livre, e não é uma coisa que se prende quando ao modo de segurar ou usar. Talvez seja mais conveniente pensar que ela é um amuleto com formato de Nenju.

-Posso colocar o Nenju no pescoço?

Não. O regramento do Shingonshu não permite o uso no pescoço.

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